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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Livros de papel

Sou daquelas pessoas antigas que só conseguem ler livros de papel, nada contra os "bonzinhos e-books" -mais ecológicos e com capacidades armagedonicas de armazenamento- mas eu gosto do cheiro,da textura, do peso do livro tradicional.
Ok, ok... Temos que nos adaptar aos novos tempos mas...

Eu preciso do meu ritual de leitura, abrir um livro, sentir seu peso me faz entrar na aura da história, mergulhar no imaginário da narrativa, é como o check-in de um avião sem o qual não posso embarcar.

Por isso, só me resta suplicar: Não deixem de publicar livros em papel!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Os Três Mosqueteiros


Ontem fui no cinema assistir ao novo filme dos três mosqueteiros.
Confesso: não estava nem um pouco animada com esse filme, pensei que ia vislumbrar o review de uma fórmula desgastada (aventura+ romance).

A verdade é que já nas primeiras cenas fui pega por uma sensação de saudosismo: relembrei que a primeira coisa da qual eu fui fã na minha vida foram "os três mosqueteiros"!!!

Ao contrário da maioria das crianças da minha idade (nascidas em 1993) meu primeiro ídolo não foi a Xuxa, o Batman ou os Power Rangers...
Foram Aramis, Portus , Athos e D'Artagnan... Nem lembro que idade eu tinha quando , lembro nitidamente, olhei o filme na sessão da tarde e disse: Uau! Isso é muito legal!
Passei a imitar as atitudes mosqueteiras:Praticava "esgrima" com os espetos de assar carne, me escondia dos inimigos (dentro do guarda roupa, debaixo das mesas, atrás dos sofás) e adotei seu lema "Um por todos, todos por um!" .
Eu peguei todos os livros dos mosqueteiros que estavam ao meu alcance e bisbilhotava as histórias, pescava trechos de uma ou outra aventura para recriar depois nas minhas próprias aventuras.

Uma das cenas mais engraçadas da minha adolescência aconteceu quando fomos assistir ao filme "Quem quer ser um milionário" no colégio.
Meus colegas estavam apostando para ver quem sabia responder mais perguntas...
Eu naturalmente não me envolvi na aposta deles...
A pergunta final era: "Athos, Porthus... Qual é o nome do terceiro mosqueteiro?"
Lógico, a alternativa "a" era D'Artagnan... TODOS os meus colegas se atiraram!
Quando a personagem principal diz que não sabe e escolhe Aramis como resposta meus colegas começaram a gritar: "Burro! Perdeu todo o dinheiro! Idiota!"
Nisso eu comecei a rir, virei para a minha amiga e disse: "Ele tá certo... " - minha amiga me olhou com uma cara de "Tá! Mas e o tal de D'Artagnan?"... Eu disse pros meus colegas : "os três mosqueteiros eram quatro...Nunca viram o filme? O D'Artagnan apareceu depois..."
Meus colegas não levaram fé na minha resposta "Aramis" e acabaram perdendo todo o dinheiro... Além de ficarem de boca aberta ao descobrirem que eu estava certa.
Eu devia ter apostado.

Voltando ao filme:
Achei bem surpreendente... Uma mistura de três mosqueteiros, Piratas do Caribe, Kill Bill, Matrix e Bastardos Inglórios... shauhsuahusahusahu
O filme como diz a gíria: é uma "viagem"! Totalmente sem noção!

Porém, quando você aceita que tudo foi feito pra ser uma forma lúdica, um blockbuster, entreter somente... O filme até se torna uma viagem divertida.

Ri demais dos absurdos postos na tela: acredito que tenham sido totalmente propositais, de forma que a intenção do filme foi ser uma comédia de aventura, uma sátira, paródia talvez?

Bem, foi válido, eu dei umas boas risadas durante o filme, eis algumas observações que fiz:

-Milady (Mila Jokovic) interpreta uma espiã dupla (Inglaterra- França) mais parece uma espiã da guerra fria! Suas cenas tiveram de tudo desde lutas estilo "Kill Bill de vestido", até a tradicional fórmula do "espião atravessando o campo de lasers" para acessar o cofre.
Na primeira cena de ação do filme a atriz inclusive atravessa uma armadilha copiando alguns dos movimentos que ficaram consagrados na saga Matrix.

- Porém, em termos de estilo ela era superada por apenas uma personagem: a rainha... pèrdon: Rei!
Totalmente afeminado, o rei da França só tem uma única preocupação: o que vestir?
Numa das cenas ele chega inclusive a rasgar as mangas de sua roupa ao saber que a moda inglesa ditava o verde como tendência real e não o azul (cor de sua roupa no momento).
Ironicamente, a história toda gira em torno do amor que o rei sente pela rainha (fala sério? Aquela bichinha? Apaixonada por uma mulher?Ok...).

-Os dois únicos pontos fracos do filme, no meu ver, são:

1- o romance de D'Artagnan : não convence... Parte primordial da trama e foi pouco desenvolvida, D'Artagnan praticamente coloca a França em guerra por causa de dois beijinhos e um rostinho bonito, nada mais!

2- Athos: O líder dos mosqueteiros está apagado no filme... Um tanto quanto eclipsado por Milady, eu diria... Acho que foi mais um ponto mal abordado.

Bem... essa é a minha opinião: uma sátira até que prazerosa, porém muiiito superficial.



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O livro desaparecerá?

“O livro é uma extensão do pensamento.”

Penso que o caso dos livros é parecido com o caso da música, acabar com os livros é diminuir os lucros daqueles que produzem, é lógico que é mais vantajoso e econômico não ter que gastar com produção de papel, mas a escrita sem o papel se torna abstrata, mais difícil de ser conservada, no futuro, vão existir novas formas de

reprodução de mídia, e aquilo que não está reproduzido em papel mas sim em bytes pode ser perdido.

Imagine um busca arqueológica futura, quando não existirem mais os reprodutores de cartões de memória e cd’s, como será possível recuperar aquilo que foi perdido?(Seria como tentar entender uma linguagem que não existe mais, temos resquícios dela no momento em que vivemos mas muitas coisas foram adaptadas, modificadas, incorporadas por outras culturas).

É complicado pensar que o livro desaparecerá, mas não impossível, os papiros e pergaminhos deixaram de ser produzidos, os códices tornaram-se obsoletos e o livro provavelmente tornar-se-á desatualizado, antigo.

Engraçado pensar em “como os antigos livros” tal qual diz-se de “os antigos códices” ou “os antigos pergaminhos”, o livro sempre foi algo passageiro, cheio de simbolismos e as bibliotecas sempre foram e serão tratadas como templos do conhecimento. Os livros não deixarão de existir, as bibliotecas continuarão lá, mas tornar-se-ão obsoletas.

domingo, 31 de julho de 2011

A Anorexia



O culto da beleza física se estabeleceu através dos séculos, exaltando a simetria do corpo e a luminosidade das formas.

O fato é que cada época teve seu ideal de beleza, vide as estátuas gregas que exaltavam os músculos, as pinturas renascentistas, que exaltavam a fartura e as atuais modelos que exaltam a magreza.

Nosso padrão de beleza atual é perseguido ainda mais arduamente por um grupo de pessoas, geralmente adolescentes do sexo feminino com um transtorno psicológico, a anorexia.

Essa doença de causa ainda misteriosa e tratamento difícil atinge cerca de 0,5% da população mundial e causa morte em cerca de 10% das internações para tratamento da doença por: suicídio, inanição ou desequilíbrio dos componentes sanguíneos.

Estudos recentes indicam que a causa da anorexia pode estar ligada a pressão cultural e familiar com relação ao estereótipo da magreza. O fato é que se isso não causa a doença, acaba agravando os sintomas.

Portanto é necessário investir em uma mudança cultural com relação a magreza e ao estereótipo da beleza, não se pode continuar cultuando algo que mata tanta gente de uma forma tão trágica quanto morrer de fome ou que por vezes causa danos físicos e psicológicos tão grandes que duram a vida toda.

Conclui- se com isso que o culto a beleza e a forma física não é algo recente mas sim adquirido de culturas anteriores e que é necessário investir mais em uma cultura de autoaceitação para que menos pessoas venham a desenvolver transtornos psico-alimentares.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Gente é para brilhar!

Hoje se exige muito mais das pessoas do que a 500 anos atrás, diz-se nas escolas, lares, entre outros, ás crianças e jovens que sejam perfeitos, gênios ou pelo menos o melhor em tudo aquilo que fizerem.

Acontece que nem todos podem ser gênios ou perfeitos e isso faz parecer incabível que escolas, por exemplo, exijam dos alunos que eles queiram ser os melhores sempre, ignorando as conseqüências dos seus próprios atos e gerando neles(os alunos) além de supercompetição, raiva e frustração quando não alcançam seus objetivos.

Na realidade, (se o mundo fosse justo, é claro!) o certo seria : família e escola exigirem dos alunos, ao invés de sempre serem os melhores, a total dedicação em tudo aquilo que fizerem (se é para fazer, que faça bem feito) pois assim os resultados vêm automaticamente.

Apesar de terem praticamente o mesmo significado (querer o melhor e dar o melhor de si), o sentido da frase é quase o mesmo mas o efeito que a mudança de palavras faz é quase mágico. Pois, quando se diz isso (dê o seu melhor), se retira o peso das costas da pessoa e a pressão a que ela iria se sujeitar some, isso causa um resultado igual, senão melhor do que exigir a perfeição.

Deve-se, portanto, pensar duas, três, mil vezes antes de exigir a perfeição de alguém por que uma pessoa só vai conseguir brilhar quando der o melhor de si, e afinal, gente é para brilhar!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Redação ENEM 2010

O TRABALHO COMO FORMA DE DIGNIFICAR O HOMEM

Disse Karl Marx,certa vez, que a força de trabalho é a única posse verdadeira de um proletário; disse também, que essa força era intensamente explorada pelo empregador detentor dos meios de produção.

Muitos dizem, porém, que essa teoria não aplica-se mais á realidade mundial como descrição das relações de trabalho. Marx foi um gênio para sua época,certamente, mas o que ele não esperava da sociedade era que no futuro todos seriam burgueses. Atualmente, não existe apenas um detentor dos modos de produção, o mesmo pai de família que bate ponto em uma firma todos os dias emprega uma doméstica dentro de sua casa.

Dessa forma, pode-se dizer que as diferenças entre trabalhador e empregador foram abolidas, gerando novos métodos de analisar essa relação. Por exemplo, o homem moderno não é mais escravo do patrão, mas sim do próprio trabalho a partir do conceito: “time is Money”-predominante no século XX.

Tais conceitos se devem ao fato de que tornar-se funcionário fez o ser humano diferenciar-se dos outros animais existentes. A força motora virou sua moeda de troca e o homem passou a ser escravo do emprego ao longo dos séculos.

Portanto, pode-se afirmar que ao longo do tempo o trabalho foi cada vez menos dignificando o homem, passou de objeto de exploração a explorador em menos de um século e corrompeu em si o próprio conceito de liberdade.

domingo, 21 de novembro de 2010

It's Just?

O que você quer dizer com isso? Se não se pode... Nenhum amor é amor se não se sofre! Nenhum romance é poesia frente ás dificuldades, é só sofrer, sofrer, sofrer... É só amar, amar, amar... It’s Just Love,Love , Love...

A dor não dói só diretamente na alma, dói no espírito, no nosso ego interior, na nossa vaidade, e essas dores são as dores mais difíceis de suportar.

Ele está envergonhado comigo, não de mim, mas dele mesmo, que fez uma escolha e está com medo de me magoar. Infelizmente eu acho que ele não vai conseguir segurar sua decisão por muito tempo, porque nem ele estava muito certo do que queria, nem eu estou muito certa de aceitar, mas eu concordo com ela (a decisão), também acho que era a coisa mais certa a fazer, e fico feliz que tenha sido ele que tenha tomado essa decisão pois há tempos eu já pensava em tomá-la, mas não sabia se teria coragem de a fazer.

Minha dor é não ter podido viver esse amor, como todos os outros que senti, já não sou tão segura de mim quanto antes. Eu esperava, porém, que a amizade continuasse... Sei que é ingenuidade da minha parte, e que eu tinha quase certeza de que isso não aconteceria, mas não posso dizer que não me magoei, a vida é cheia de decepções mas eu não esperava nessa parte, aliás eu nem queria me envolver com aquele pessoal de lá, eu sabia que era furada... Eu tinha certeza que era furada... Ainda mais com quem eu me envolvi, apesar de me surpreender, e eu achar isso especial e diferente de tudo que eu já vivi, eu sabia que a situação não era favorável para mim, de todas as formas. Mas não posso dizer que eu não sofri, apesar de eu não ter esperanças, eu nunca tive esperanças, eu só gostava de tê-lo ao meu lado, como um aconchego, como algum lugar pra onde eu pudesse escapar.

Eu pedi para Nossa Senhora que ele me deixasse em paz....

Ela rogou por mim...

[Não sei se me arrependo.

Melhor deixar assim...]

Seja como Deus quiser.

Existem pessoas que encontram no amor todas as soluções possíveis, ou pelo menos buscam... Mas as coisas não são dessa maneira, basta olhar para o rosto daqueles que julgam estar apaixonados, nem sempre as coisas acontecem como eles querem.

(8 de maio de 2010)

Lazzy

terça-feira, 9 de novembro de 2010

SEM sentido

Vi meu coração, correndo para dentro da avenida chuvosa, passando pela poça enlameada, perdendo o guarda-chuva na esquina.
Esperei que parasse, cruzasse o portal de entrada e me encarasse.
- O que você deseja?-eu lhe questionei.
-Eu não sei.
O olhar dolorido é o mais aterrador dos sentimentos, não existe nada que um olhar dolorido não possa fazer. O dele arrancou meu coração, despedaçou-o em mil pedaços.
-Eu me comprometi com você, deve saber o que pretende fazer.
-Eu apenas aprendi por meias palavras o que se deve fazer... Não sei o que dizer.
-Talvez devessemos aprender juntos...?
-Você que deve saber...
-Cansei de transferir minha responsabilidade. Faça o que puder.
-Farei o melhor que puder.
-Ótimo!
E assim, acordamos o nosso amor, a partir de então o ócio nunca mais me abandonou...


Lazzy

Ilusão

iludir-se muitas vezes é melhor que corromper-se, a iusão não é mais que doces palavras na boca de infames... Teria eu que lidar o tempo todo com a indiferença? Ou seria só durante o tempo que fosse sozinha? É ruim demais ter que viver, crescendo e amadurecendo, frente a tantos aprendizados negativos ( as mentiras do meu pai, os gastos da minha mãe, a implicância do meu irmão) quando isso cessa? Quando vai parar de me afetar? Dói, machuca por dentro cada palmo do meu ser e de fato tento me iludir de que não é real. Eu só queria poder acordar de vez em quando e ver que alguém toma as rédeas da situação, assume o controle, impede que tudo vire um caos.... Pelo menos que de vez em quando, algum deles tomasse a iniciativa, fizesse alguma coisa realmente decente por conta própria, corresse atrás, me ajudasse a me sentir tranquila, calma, desestressada, algo incomum. Eu só queria poder ter o controle, resolver a situação, me restaurar. E assim, portanto, conseguir colocar minha vida no lugar de vez... Hoje tudo parece tão difícil! É mais uma noite chuvosa de primavera.

domingo, 31 de outubro de 2010

Carol

Mensagem que eu e a minha tropa sênior escrevemos para os quinze anos da nossa mais nova guia Carol...


Carol

Na vida às vezes temos escolhas a fazer, algumas são simples, como escolher a marca da manteiga no supermercado ou se prefere Toddy ou Nescau, outras são complexas e mudam o rumo da nossa existência.

Escolhestes ser escoteira, juraste perante sua promessa ser a honra maior que tua própria vida.

Por isso estamos hoje aqui, por que os laços que nos uniram naquilo que significa ser escoteiro são laços realmente fortes, capazes de unir nossos corações em um só propósito: o de fazer e ser o melhor possível.

Estes laços que hoje queremos renovar e tornar eternos.

Carol, menina pequenina, mas com um coração maior que todos os escoteiros em fila indiana, com um espírito alegre e que ri de tudo, das coisas mais simples até a piada mais engraçada.

A sua presença completa qualquer ambiente, qualquer acampamento, mas não qualquer tropa! Só a nossa!

Carol, alegria dos piadistas sem criatividade, não deixa passar uma graça sem um sorriso!

Você é a taquara que faltava na nossa pioneiria, a cozinheira pra fazer a massa, o espeque da nossa barraca, o lenço do nosso uniforme.

A escoteirinha favorita da nossa tropa sênior.

“Nunca te sinta só, triste ou amargurada, pois é na queda que os rios ganham força.” – e nós com certeza estaremos lá fazendo um rapel ou apenas tomando um banho de cachoeira pra te resgatar.

Queremos neste dia tão especial te desejar tudo de bom e que a tua vida seja cheia de conquistas, aventuras amores e alegrias e sempre guarde as lembranças daquilo que vivemos em seu coração. E saiba que pode contar sempre com esta tropa “especial” para o que der e vier.

A gente não pôde trazer o Bozo pra dançar a valsa contigo, mas enfim... a gente tá aqui.

UMA VEZ ESCOTEIRO, SEMPRE ESCOTEIRO.

DA SUA “QUERIDAA”...

TROPA SÊNIOR GUARANI

SELVA!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Beijo

[Nervosismo
Alguém murmura palavras sem som
O outro entende
Olhos perplexos, rostos se viram para lados opostos
Um instante de silêncio, parece eterno...
[sussuro] Eu também...[sussuro]
"Por quê você demorou tanto?"
"Eu?!" -ela pensa, um meio sorriso sarcástico se formando nos lábios.
[Foi rápido demais para que se formasse um sorriso inteiro...]
Ele puxa delicadamente o rosto dela para o seu.
[Os lábios se encontram]
Foi como se estivessem no lugar certo, na hora certa
Fazendo a coisa certa
[o filme começa em algum lugar distante]
Parecia um mergulho em águas profundas
Tudo desapareceu, só se ouviam os sons dos seus lábios se tocando
"Alguém mais percebia?"-ela perguntava para si mesma em pensamento
"Que percebam..."-ele respondia sem notar.
Os lábios dele eram assustadoramente quentes e molhados
E ela, antes tão fria, foi deixando-se mergulhar naquelas águas termais
Tornando-se quente...
Deixando-se levar...
Aproveitando...
Aconteceu, como a relação deles tinha sido até então
delicada, simples, contida, sem cobranças
Exigindo apenas um do outro o que cada um tinha para oferecer no momento
Compreensiva, confiante de que o companheirismo dos dois seria maior do que qualquer beijo
do que qualquer experiência ruim
Só queriam aproveitar o que os lábios do outro tinham a oferecer naquele momento
Não se preocupando com o que o outro ia pensar
[Arriscando]
"A vida é arriscar-se não é?"-os lábios dela perguntavam
"É mesmo!"-os dele respondiam
E assim deixaram-se levar nessa viagem
ela explorando os lábios dele
fugindo e retornando
só para testar sua saudade
Os dele, mais hábeis e experientes
foram logo tomando os dela
como tomaram todas as outras garotas
mas logo perceberam
os dela eram diferentes
e se adaptaram, por que ela era mais importante do que os hábitos que conservara até então
entraram no seu jogo, não se importaram, sentiram falta dos dela
[Confusão]
O mundo girou ao redor dos dois
uma mistura de cores, sons, percepções
Fitaram os próprios olhos admirados
[Onde estamos?]

Lazzy

terça-feira, 15 de junho de 2010

A mistura da brasilidade

O brasileiro é um personagem definido como o perfeito “herói imperfeito”, talvez por isso seja mais fácil defini-lo como o fanfarrão Zé Carioca do que com qualquer outro personagem da nossa literatura.

Nietzsche disse, certa vez, que a observação psicológica está entre os expedientes por meio dos quais podemos aliviar a carga de viver, Machado de Assis, concordava com suas palavras, seguindo, mais do que qualquer outro na literatura brasileira, essa filosofia em sua escrita. Por isso, os personagens machadianos podem ser considerados os que melhor definem a sociedade,não somente de sua época, mas de todas as épocas. A literatura machadiana mostrava nos perfis psicológicos um “quê” de universal, era pura e simplesmente de análise daquilo que o escritor via, refletido nas páginas de suas obras.

Talvez assim, possamos considerar injustiça constar somente um de seus personagens na lista dos que melhor definem o perfil de nossa sociedade, por exemplo, a cálida Capitu, a mulher perfeita ou a perfeita mulher? Tem em sua descrição um ar de mistério, uma sensação de cobiça estranha, algo tão comum na maioria das mulheres, mas que poucos autores souberam descrever com tamanha maestria.

O próprio Bentinho, estranho, ingênuo, submisso, é capaz de descrever tantas pessoas quanto imaginarmos ser possível; mais do que isso, a sua imagem e semelhança temos o próprio Brás Cubas de Machado, a encarnação profunda da solidão, prova sem escrúpulos de que a traição está enraizada na alma humana, e que os seres são capazes de arriscar quase tudo por uma paixão.

A verdade, a mais cruel das verdades, é que o ser humano pode adquirir muitas faces, personalidades, gênios; podemos escrever sobre qualquer tipo de ser antrópico, por mais improvável que seja, e certamente estaremos descrevendo alguma pessoa vivente deste mundo. Na realidade brasileira, não é diferente, encontramos nas ruas pessoas de tão distintas raças, cores, credos, que em termos de personalidade encontramos dificuldades em achar duas criaturas iguais.

Mesclando tudo isso, pode ser dito que qualquer Brás Cubas,Peri, Ana Terra e Capitu, descreve a personalidade de um entre tantos irmãos de nacionalidade que possuímos, ou alguém dirá que não tem em si algum traço de Macunaíma? Assim, juntando todos esses personagens em um liquidificador gigante, talvez um dia seja possível montar uma esquete do que Deus definiu como o que seria a brasilidade.

Portanto, a observação psicológica e o desejo de aliviar a carga de viver fazem os autores definirem em sua escrita a realidade que seus olhos percebem, assim, encontramos todos os tipos de personalidades refletidas na literatura, pois o ser humano pode adquirir muitas personalidades, então, somente se for possível juntar todas essas descrições encontraremos a personalidade de uma nação.