sexta-feira, 16 de março de 2012

Sozinho mas não só

As vezes parece que estamos sozinhos
e que nada mais pode nos sustentar
as vezes parece que não nos aguentamos
e que as  dores vão nos fazer cessar

Não sei se estou certa, não sei se errada
mas as dores nos remetem à desilusão
e ouça bem, são as dores da alma
aquelas que massacram o nosso coração

De tudo que eu sinto e de tudo que eu faço
beleza não extraio, fortaleza não há
apenas injustiça, apenas incerteza
apenas o belo querer alcançar

Mimetismos, retóricas, nada me basta, me sinto sozinha mas não estou só...

****saudade que eu tava de escrever poesia!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Wislawa

Gosto de buscar escritores, procuro pessoas com jeitos diferentes de contar histórias, pessoas que me mostrem algo novo, pessoal, escritores com os quais eu me identifique.

De fato, uma das minhas buscas mais incansáveis se resumia a poetisas. 
Não que não existam poetisas... Existem várias, porém, das poetisas as quais já li alguns textos resumem suas obras - na sua imensa maioria- a poemas existenciais, em particular, poemas de amor (com excessões de um ou dois poemas esparsos em obras inteiras, o que as torna reconhecidas são os poemas amorosos). 
Isso tem uma explicação: as mulheres vivem mais intensamente a paixão e o amor, elas amamentam, carregam seus filhos no ventre, têm um coração e um instinto de amar mais intensamente... Por isso escrevem tão bem sobre tal "sentimento". 
Os homens, porém, parecem escrever sobre tudo! Peguemos como exemplo o mestre Fernando Pessoa: escreveu sobre amor, melancolia, tecnologia, existência, metafísica, enfim, sobre a vida. E Vinicius de Moraes? Além de seus famosos poemas de amor ele possui uma obra inteira dedicada à críticas sociais. 

Pois era essa a minha busca: uma Poetisa, que em sua obra predominantemente não falasse de amor. 
E a encontro no dia de sua morte: Wislawa Szymborska!  Uma polonesa, vencedora de um prêmio nobel de literatura, muito famosa em diversos países mas pouco conhecida aqui no Brasil. Um pouco da vida de Wislawa nesse link ( http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet265.htm ).

 Trecho retirado do site acima:
Wislawa Szymborska



O TERRORISTA, ELE OBSERVA 
A bomba explodirá no bar às treze e vinte.
Agora são apenas treze e dezesseis.
Alguns terão ainda tempo para entrar;
alguns, para sair.
O terrorista já está do outro lado da rua.
A distância o protege de qualquer perigo.
E, bom, é como assistir a um filme.
Uma mulher de casaco amarelo, ela entra.
Um homem de óculos escuros, ele sai.
Jovens de jeans, eles conversam
Treze e dezessete e quatro segundos.
Aquele mais baixo, ele se salvou, sai de lambreta.
E aquele mais alto, ele entra.
Treze e dezessete e quarenta segundos.
A moça ali, ela tem uma fita verde no cabelo.
Mas o ônibus a encobre de repente.
Treze e dezoito.
A moça sumiu.
Era tola o bastante para entrar, ou não?
Saberemos quando retirarem os corpos. Treze e dezenove.
Ninguém mais parece entrar.
Um careca obeso, no entanto, está saindo.
Procura algo nos bolsos e
às treze e dezenove e cinqüenta segundos
ele volta para pegar suas malditas luvas. São treze e vinte.
O tempo, como se arrasta
É agora.
Ainda não.
Sim, agora.
A bomba, ela explode.
Tradução: Nelson Ascher
(Versão realizada a partir da versão inglesa de Adam Czerniawski e da
norte-americana de Magnus J. Krynski e Robert A. Maguire)



Trecho retirado do livro "Poemas", publicado pela primeira vez no Brasil recentemente pela Companhia das Letras


Recital da autora
musa, não ser um boxeador é literalmente não existir.
Nos recusaste a multidão ululante.
Uma dúzia de pessoas na sala,
já é hora de começar a fala.
metade veio porque está chovendo,
o resto é parente. Ó musa.
as mulheres adorariam desmaiar nesta noite outonal,
e vão, mas só ao assistir a uma luta colossal.
só lá as cenas dantescas.
e o ascenso aos céus. Ó musa.
Não ser boxeador, ser poeta,
estar condenado a duras florbelas,
por falta de musculatura mostrar ao mundo
a futura leitura escolar — na melhor das hipóteses —
Ó musa. Ó pégaso,
anjo equestre.
Na primeira fila um velhinho sonha docemente
que a finada esposa ressuscitou e
assa para ele um bolo com passas.
Com fogo, mas não alto, para o bolo não queimar,
começamos a leitura. Ó musa



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sobre razão e emoção

Não sufoque o seu coração para que não seja sufocada também sua alma
Não obedeça plenamente a opinião do seu coração pois ele não tem consciência do que faz
Não confie plenamente na razão pois ela não tem a capacidade de sentir
Pondere a razão e a emoção, coloque-as em uma balança e jamais deixe que uma se sobreponha à outra.

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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sobre o politicamente correto

Vivemos no Brasil um momento de falta de bom senso e, acima de tudo, um momento de falta de bom humor. 
A "moda" reinante no comportamento das pessoas, no período entre 2008 e 2010, ditava um humor politicamente incorreto como padrão dominante, vamos dialogar sobre isso: 

Durante o período que abrange o ano de 2008 o programa Pânico na TV conquistou muitos adeptos. Seu público: uma multidão de cansados espectadores que finalmente puderam ver algo de novo reverberar no humor nacional após anos de dominação de programas como Casseta e Planeta, Zorra Total e Jô Soares ...  
O programa Pânico seguiu uma linha humorística bastante escrachada, no início até que em dosagens adequadas, eu diria, e com o sucesso (passou a exagerar no uso de determinadas piadas, muitas sem nenhuma graça, estereotipando pessoas por exemplo) acabou perdendo a linha.  
Como alternativa surgiu o programa CQC, humorístico que segue padrões jornalísticos e que buscava um humor mais refinado. Acertou por muito tempo, humor na medida, sem exageros e estereótipos.  Mesmo assim, as críticas vieram, o CQC mexeu com grandes nomes da política nacional  e conquistou antipatia frente a categoria , da mesma forma, o programa acabou usufruindo de fórmulas bem conhecidas para ganhar audiência (como a cobertura a eventos de novelas da Rede Globo e entrevistas com jogadores de futebol). 
 As constantes críticas, mesmo nos acertos do programa, fizeram alguns de seus integrantes pararem de se importar com a repercussão de suas declarações na mídia e perderem a linha com muitas piadas de duplo sentido e o abominável uso de estereotipias.  Eu, particularmente, não vejo nenhuma das declarações como gravíssima, mas sim como declarações infelizes que poderiam ser desfeitas com um pedido formal de desculpas. Acontece que foram muitas declarações infelizes, e muitos pedidos de desculpas, tantos que os integrantes do programa cansaram de pedir desculpas... não cansaram, porém, de fazer declarações infelizes para as quais os pedidos de retratação não vieram.  
Os integrantes do programa acabaram sendo vistos com antipatia por uma parcela muito grande da população, visto que, criticaram demais todas as faces do sistema: ricos e pobres, patrões e empregados, políticos e população, ativistas gays e homofóbicos, celebridades e seus seguidores... e a lista continua. 
O trabalho dos "caras" no geral acaba sendo muito bom, e muita gente parece se esquecer disto, o CQC se preocupa em expor as mazelas sociais, cobrar explicações dos políticos (papel que cabe a imprensa, permitam-me dizer e não apenas a população em geral como muitos teimam em clamar) e fiscalizar obras públicas. Acusar o CQC por seu humor por vezes infeliz e jamais elogiá-lo é pura ignorância e preconceito da nossa parte, queridos amigos, não abusemos do politicamente correto por que ele é necessário, mas tudo que é em exagero é prejudicial, perde a linha, como vimos que acontece até mesmo no humor. 

Para terminar este post, cito o post "Segundas Chances"(20/01/2012) do Blog "Um pouco de mim" da Elaine Gaspareto, que me motivou a escrever este texto, quem tiver oportunidade leia, exemplifica tudo que citei acima. 



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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Começar a escrever

Acabei de ler um artigo no blog do Meia Palavra ( http://blog.meiapalavra.com.br/2010/11/24/comecar-a-escrever/  ) ;o Meia Palavra é escrito pelos leitores que fazem resenhas, comentários ou textos sobre literatura... Enfim, o texto que eu li tratava de um assunto bem interessante: começar a escrever.

Me fez pensar: "quando eu comecei a escrever?"
Bem, faz muito tempo, muito mesmo...Acho que escrever sempre foi uma coisa intrínseca a mim (a manifestação de uma vontade de me expressar, transcender os pensamentos e lhes dar forma),deve ter começado logo que eu me alfabetizei mas até um determinado momento da minha vida, uns 8 ou 9 anos, isso sempre esteve em segundo plano muito mais importante era ler ou desenhar, ou até mesmo inventar mundos imaginários na minha própria imaginação//eu falei justamente sobre isso na postagem sobre os três mosqueteiros// .
Eu lembro o dia em que eu mudei de opinião sobre escrever (nos meus 8 ou 9 anos): eu queria escrever uma história para me inserir como uma bruxinha nos livros da J.K. Rowling... Eu tinha acabado de terminar o 2º ou 3º Harry Potter ( o terceiro, acho...) , minha história tinha mais desenhos que palavras (hsuausuausa, muitos corações e cachorrinhos e menininhas de chiquinhas na cabeça) e eu era a irmã gêmea do Harry Potter, fomos separados no parto-acho que para evitar o extermínio da família completa se Voldemort  aparecesse, não lembro exatamente... Mas não passou disto!

Ao longo do tempo, porém, escrever foi tomando uma importância tão grande na minha vida, é um vício,digo  vício por que alivia, reconforta, nos faz esquecer os problemas, desestressa, clareia a mente... Transcende nossa realidade , é como se pegássemos os problemas e jogássemos na parede, lá estaria o mapa da nossa realidade, tudo parece menos complicado, sufocante, afinal, o mapa está lá na parede-eu não preciso ficar me lembrando dele o tempo inteiro- é só olhar.

É olhar a realidade em terceira pessoa, seja ela a realidade fantástica ou a que criamos na nossa vida.

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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Moves like you !

Levo a vida loucamente
Como em uma dança ou corda bamba
rebolo pra não cair
me esquivo pra não tropeçar

faço dos meus sonhos a roupa que eu uso
o jeito que eu ando
e a maneira que eu me comporto
até na forma que eu danço

se você quiser pode tentar  me imitar
andar na minha corda bamba
dançar no meu ritmo
a música que eu determinar

eu garanto que você vá se machucar
mas meu bem, eu não me importo
você determina a maneira que quer andar
mesmo que isso signifique que vá tropeçar

solte o seu sentimento
a sua maneira de agir diz muito sobre você
não deixe ninguém dizer como deve se comportar
dance da maneira que quiser dançar
cante da maneira que quiser cantar
ande na sua corda bamba

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Seguindo na Contramão

A vida é assim: dura e fria
Onde garotos bonzinhos vão aprender a mentir
E tristes meninas vão descobrir como sorrir

Você já sabe, eu já disse
As coisas acontecem mesmo se você não reparar
As dores se reconstroem na pressa
Na ânsia que alguns têm, de fazer a vida mudar

Eu não quero ser uma garotinha chata
Azucrinando nos seus ouvidos
Mas eu não tenho escolha
Se você não deu valor a alguns dos seus sentidos:

Eu não tenho culpa
Se você não viu o mendigo passar
Descrevendo poesias com o olhar

Eu não tenho culpa
Se você não consegue enxergar
Que as pessoas carregam armas por debaixo dos panos
dos seus vestidos
E mesmo do coração, e dentro de suas almas

Eu não tenho culpa se você não percebe e por isso não consegue entender
como a vida é bonita
Apesar de todas essas coisas...
        Apesar de todas essas coisas...
                             E que eu não tenho culpa...
E Que você é alheio a essas coisas?

Feito um alienado
Mentindo pra mim o tempo inteiro
Que entende alguma coisa que eu falo

[A intenção é que esse texto um dia vire uma música,  trazendo na íntegra os versos que eu preparei e compus].

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